José César Aprilanti Gnaccarini foi cassado pela ditadura militar na UnB por ser especialista em Marx. Professor titular de sociologia da USP (Universidade de São Paulo), fez-se intelectual impecável, de olhos voltados aos subalternos. A eles coube "Latifúndio e Proletariado", obra-prima a respeito do campesinato brasileiro e da estrutura agrária que tritura meeiros, parceiros, posseiros —os enfeixados na categoria sem-terra. De escrita rigorosa e também poética, assim desenvolvia-se seu pensamento. Lecionou também, conforme as contingências políticas e pessoais, nas universidades de Brasília ( UnB ) e de Campinas ( Unicamp ) e na FGV (Fundação Getulio Vargas). Discreto ao extremo, era o oposto da vaidade acadêmica, e agia com doçura e altruísmo que colegas definiam como franciscanos: "Tiraria a própria camisa para dar a outro", resumiu o antropólogo Kabengelê Munanga. Ocupando uma cátedra em Moçambique, doou parcelas expressivas de seu salário aos pauperizados com quem fez amizade no país da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique). Também foi atravessado pela violência histórica de seu tempo. Recém-casado, teve cassado pela ditadura militar seu cargo na UnB em razão de ser especialista em Marx. Justo ele, que tanto discernia entre pesquisa acadêmica e militância. Mas, por intermédio do professor Florestan Fernandes, de quem era considerado um aluno de ouro, voltou para a USP. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.