Com o estreito fechado, o hemisfério norte vive a expectativa da estação fria sem saber quanto petróleo tem. Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris. O hemisfério norte se aproxima do fim das férias de verão sem saber quanto petróleo atravessa o estreito de Hormuz. Boa parte dos navios que ainda cruzam a passagem —por onde escoava um quinto do petróleo mundial antes da guerra— desliga os transponders, aparelhos que transmitem identificação e posição, para não virar alvo. O rastreamento virou exercício de estimativa sobre imagens de satélite. Há dois meses o quadro parecia resolvido. O memorando assinado por americanos e iranianos em junho previa a retomada gradual da navegação. O mercado tratou o problema como encerrado e o barril chegou a cair abaixo de US$ 70 no início de julho. O acordo desmoronou em semanas, depois que o Irã voltou a atacar navios e Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos, e o prazo de 60 dias para negociar um substituto venceu na segunda-feira (17) sem nada no lugar. Na terça, Donald Trump publicou em sua rede social a imagem de um mapa com o estreito circulado e a legenda "novo território dos Estados Unidos", e horas depois negou que houvesse conversas em curso com Teerã, afirmando que a passagem está aberta e as minas, removidas. O Irã chamou o mapa de delírio, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, listou o preço da reabertura: fim do bloqueio naval, liberação de ativos congelados, suspensão das sanções ao petróleo e fim das operações militares em todas as frentes. Omã tenta mediar sob ameaça de bombardeio do próprio Trump, caso atrapalhe. O caso também é acompanhado por seus possíveis reflexos diplomáticos, econômicos e estratégicos, especialmente se houver novas manifestações oficiais ou escalada de tensão. Use com naturalidade termos como cenário internacional, economia global e reflexos no Brasil quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.