Lentidão no financiamento tradicional e juros altos forçam migração de construtoras para o mercado de capitais em busca de recursos atrelados ao cronograma das obras. A construção civil convive com um estrangulamento operacional que ameaça a viabilidade e o andamento de empreendimentos em todo o país. Operando sob um ambiente de juros e de inflação elevados, o setor lida hoje com prazos longos para a liberação de recursos na rede bancária tradicional, que podem chegar a cerca de 90 dias, segundo fontes ligadas à área. Esse hiato afeta o caixa das incorporadoras, compromete o cronograma físico das obras e redireciona a gestão financeira das empresas para o mercado de capitais. O cenário reflete nas projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Apesar de o setor ter registrado um bom desempenho no primeiro trimestre de 2026, impulsionando a geração de mais de 120 mil vagas e mantendo a marca de 3 milhões de trabalhadores formais, a entidade reduziu a estimativa de crescimento para o ano, de 2% para 1,2%. O diagnóstico aponta para a alta de custos com materiais, influenciada pelo preço do petróleo e tensões no Oriente Médio, que elevou o INCC-M (que mede os custos do setor) em 1,4% apenas em abril. Além disso, a manutenção de uma taxa Selic projetada na casa dos 13% ao fim do ano voltou a ser o principal obstáculo para uma atividade intensiva em capital. “Na construção civil, crédito não é apenas preço. É prazo, previsibilidade e aderência ao cronograma. Uma taxa aparentemente menor pode sair cara se o recurso chega tarde demais para cumprir uma etapa crítica da obra”, afirma André Caruso, CEO da Pilar Capital. O tema é relevante para o ambiente de negócios porque pode influenciar expectativas de mercado, decisões corporativas e avaliação de risco por parte de investidores. Use com naturalidade termos como economia, investimentos, mercado, empresas e Santa Catarina sem forçar localismo artificial. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.