Estado do Pará pede na Justiça o cancelamento da matrícula de uma fazenda que considera pública; réus negam grilagem. Search questão agrária Líder sem-terra ameaçado vive sob escolta em disputa por fazenda no Pará Estado pede na Justiça o cancelamento da matrícula de uma fazenda que considera pública; réus negam grilagem, e centenas de famílias continuam sob lona à espera de decisão judicial Por Daniel Camargos | Fotos Fernando Martinho | Edição Bruna Borges 06/07/2026 16:10 + BREU BRANCO (PA) — Para visitar o acampamento de trabalhadores rurais sem-terra que preside, Ivan da Silva Assunção precisa avisar a polícia e esperar escolta. Só depois ele vai até os barracos de lona onde famílias aguardam há anos uma decisão sobre a área conhecida como Fazenda Tigre. “Eu me sinto que nem um prisioneiro. Eu sou prisioneiro dentro da minha própria residência”, afirma. Assunção preside a Amocot (Associação dos Moradores da Comunidade Tigre) e conta que entrou em programa de proteção depois de sofrer ameaças no conflito pela terra. “Não posso vir aqui no acampamento fazer uma reunião sem ser escoltado pela polícia”, diz. A disputa pela fazenda é alvo de uma ação civil pública movida pelo estado do Pará na Vara Agrária de Castanhal que pede o cancelamento da matrícula da Fazenda Tigre e indenização por suposto apossamento ilegal de terra pública. A área está localizada na margem esquerda do rio Moju, no sudeste do Pará, nos municípios de Breu Branco e Goianésia do Pará. Registrada como Fazenda São Francisco, a área teve a matrícula bloqueada por decisão liminar em 2023. O pedido de cancelamento definitivo do título, porém, ainda aguarda sentença. Para as famílias do Acampamento Tigre, a espera pela decisão se mistura à falta de trabalho, comida e segurança. “A gente quer mostrar o nosso valor, o valor dos trabalhadores que precisam de um pedaço de terra para trabalhar e criar os seus filhos”, explica Assunção. Réus na Justiça, os fazendeiros que alegam serem os donos da área afirmam que a fazenda não se sobrepõe a terras públicas. Na contestação, Paulo César Teófilo, Fernando da Silva Teófilo, Rafael da Silva Teófilo e Solange Pereira da Silva Teófilo sustentam que a propriedade tem origem em uma carta de sesmaria da antiga Fazenda São Paulo das Cachoeiras. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.