Um avatar pode repetir as convicções de um pastor, mas não assume responsabilidade pelo que diz. Assine Fechar sidebar menu Minha Folha Minha playlist Newsletters Minha assinatura Forma de Pagamento Editar senha e conta Atendimento Clube Folha Casa Folha Sair United States of America flag English edition Edición en español Edição Folha Últimas Textos da edição folha Casafolha Clube Gourmet Clube Folha Bem-estar Educação Gastronomia Lazer e Cultura Turismo Folha Jogos Séries Folha Todas opinião Editoriais Charges Tendências/Debates colunas mais populares Mais lidas Mais comentadas acervo folha fotografia política Lula eleições 2026 painel Entrevista da 2ª brasília hoje economia imposto de renda investimentos previdência painel s.a. agrofolha mercado imobiliário folha ESG mpme publicidade legal recall energia limpa tecnologia veículos cotidiano rio de janeiro loterias Educação Folha Estudantes Folha de redação Enem Ranking Universitário Folha escolha a escola mundo guerra no irã guerra israel-hamas guerra da ucrânia estados unidos china rússia israel coreia do norte venezuela ambiente cop30 saúde Vita equilíbrio ciência ilustrada mônica bergamo quadrinhos painel das letras coleções folha ilustríssima esporte copa do mundo campeonato paulista campeonato brasileiro futebol internacional notícias por estado São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais mais estados podcasts F5 outro canal Bichos celebridades horóscopo Folha Social+ guia folha turismo folhinha folhateen comida CozinhAÍ deltafolha dias melhores Seminários Folha empreendedor social tv folha o melhor de sãopaulo parceiros Aeroin Agência Fapesp BBC News Brasil Bloomberg Deutsche Welle Financial Times Mensagem de Lisboa Público Quatro Cinco Um Radio France Internationale The Conversation The Economist The New York Times banco de dados painel do leitor mais seções folha en español folha in english folhaleaks folha tópicos versão impressa Mapa do site classificados fale com a folha Canais para o leitor anuncie (publicidade folha) atendimento ao assinante erramos ombudsman painel do leitor Sobre a Folha sobre o grupo folha expediente política de privacidade projeto editorial treinamento trabalhe na folha Contraste Claro Escuro Siga a folha Link externo, abre página da Folha de S.Paulo no X Link externo, abre página da Folha de S.Paulo no Linkedin Link externo, abre página da Folha de S.Paulo no Instagram Link externo, abre página RSS da Folha de S.Paulo Descrição de chapéu Opinião Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​. Pastorear sempre envolveu estar presente na vida das pessoas. Isso inclui visitar casas e hospitais e receber os fiéis nos escritórios das igrejas para aconselhamento. Com o avanço da inteligência artificial, alguns pastores começaram a redefinir essa atuação, criando avatares capazes de orientar, em seu lugar, quem os procura. O argumento é que essas ferramentas permitem assistir mais pessoas. Mas até que ponto essa suposta otimização compromete a própria essência do cuidado que um líder religioso oferece aos seus fiéis? Falo como pastor, mas penso que o dilema seja comum a todas as religiões. Uma reportagem publicada recentemente pelo New York Times apresentou a experiência de Justin Lester, pastor da Friendship Baptist Church, na Califórnia. Lester criou um avatar de inteligência artificial alimentado com cerca de dois milhões de palavras extraídas de seus sermões, leituras e correspondências. O objetivo é fazer com que o sistema reproduza sua voz, seu modo de falar, suas referências bíblicas e algumas características de sua personalidade. Assim, por texto, telefone ou vídeo, qualquer pessoa pode conversar com essa versão digital do pastor a qualquer hora. Quando li a matéria, me lembrei de um episódio narrado no Evangelho de Marcos (1.35-38). Certa madrugada, Jesus se retirou para um lugar deserto. Ao encontrá-lo, os discípulos disseram: "Todos estão te procurando". Jesus, porém, não voltou para atender àquela demanda. Preferiu seguir para outro lugar. O texto me serve como lembrança de que quem cuida de pessoas também precisa reconhecer que nem toda demanda é uma missão. Líderes religiosos sempre conviveram com demandas que ultrapassam sua disponibilidade. Pessoas adoecem, enfrentam crises conjugais, questionam a fé e procuram orientação em horários imprevisíveis. Nem sempre é possível atendê-las. Quando isso acontece, elas esperam ou procuram outra pessoa. E o cuidado recebido não perde o valor por isso. A ideia de que um avatar deve ocupar o espaço que o pastor não consegue preencher revela certo personalismo. Seria um problema se outra pessoa capacitada oferecesse cuidado naquele momento? Por que preferir uma presença simulada ao cuidado real de alguém que pode estar presente? Em 20 anos de atividade pastoral, nunca ouvi alguém dizer que o cuidado recebido perdeu o valor porque não veio do pastor que procurava. Há ainda uma questão teológica que me intriga. No caso da fé cristã, a presença encarnada não é um detalhe, mas parte essencial do modo como Deus cuida. O cristianismo nasce da afirmação de que Deus se fez carne e habitou entre nós. Jesus não enviou uma simulação de si mesmo. Assumiu um corpo, entrou na história, sentou-se à mesa, tocou pessoas, chorou diante da morte e se deixou alcançar pelo sofrimento humano. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.