Operários indianos treinam IA que pode substituí-los no futuro; veja vídeo
Fábricas pagam um euro a mais por hora pelo uso das câmeras corporais. A fábrica paga um euro a mais por hora pelo uso das câmeras. Mas os trabalhadores dizem que esse pagamento extra vem acompanhado de um novo tipo de pressão. "Quando a câmera está na sua cabeça, você tem medo de cometer erros. Sempre temos a sensação de que, se o empregador assistir às gravações, erros poderão ser descobertos", acrescenta Ravi. No começo do ano, um vídeo de trabalhadores têxteis indianos usando câmeras corporais viralizou. E provocou um debate sobre como os dados dos funcionários estão sendo utilizados para treinar sistemas de IA. As empresas estão transformando esses registros em negócio. Cada movimento dos trabalhadores é gravado e catalogado, gerando um fluxo contínuo de dados. Depois, essas informações são vendidas para empresas de IA, principalmente nos Estados Unidos. "A IA está se movendo do mundo digital, onde temos GPTs e ChatGPT s, para uma IA física. O que quero dizer é que os robôs vão se tornar uma realidade. Eles vão trabalhar nas fábricas, realizar tarefas e automatizar grande parte do trabalho repetitivo. E, para desenvolver esses algoritmos, uma das formas de treinar esses robôs é coletar dados de humanos realizando essas tarefas por meio de dispositivos acoplados ao corpo", afirma Puneet Jindal, fundador da Labellerr AI. A demanda por esse tipo de informação está aumentando rapidamente. A previsão é que o mercado de robôs humanoides possa chegar a 5 trilhões de dólares até 2050, com quase 1 bilhão de robôs trabalhando em todo o mundo. Nessa corrida tecnológica, operários de fábricas indianas se tornaram uma importante fonte de dados. Para este especialista, a regulamentação não está acompanhando a velocidade das mudanças. Ele afirma que a Índia não tem leis que regulamentem como gravações feitas no ambiente de trabalho podem ser usadas para treinar sistemas de IA. "Os trabalhadores estão enfrentando um problema duplo. Primeiro, estão sendo explorados. O valor que eles geram está sendo retirado deles ao transformar a habilidade humana deles em um conjunto de dados. Segundo, os proprietários das fábricas estão observando e monitorando cada momento de suas ações. Trata-se de um regime de controle e vigilância que está se consolidando", explica Avinash Kumar, professor de Estudos do Trabalho da Universidade JNU. Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!. Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.
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Fonte: Folha de S.Paulo