Episódio de violência envolvendo grupo liderado por monge e o Estado revela tensões sociais no interior do RS em 1902. Ainda com dores, recebeu um embrulho com um "presente" e um bilhete: "Para substituir a que perdeste". A mutilação vinha de um homem abatido a tiros de fuzil pela Brigada Militar no dia anterior, quase no final da Guerra de Pinheirinho, uma represália que virou massacre de pelo menos 28 pessoas no Vale do Alto Taquari, no sopé da Serra Gaúcha. A brincadeira macabra se tornou lendária na comunidade e ilustra um confronto alimentado por medo, preconceito religioso e impiedosa reação policial. Apesar de descendentes dos envolvidos de ambos os lados ainda viverem na região, o episódio caiu no esquecimento após 124 anos, citado quase só em trabalhos historiográficos. Grande parte do registro nasceu do livro Os Monges de Pinheirinho, de 1975, do historiador local Gino Ferri (1922-2016). A partir de meados dos anos 1960 ele entrevistou alguns dos envelhecidos participantes. Quase todos entre os vencedores, como o autor lamentaria décadas depois da publicação. "Naquela época eu sabia muito pouco sobre o outro lado", comentou Ferri no início dos anos 2000. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.