Entre desenvolvimento e memória do herói Odílio Garcia, Cordeiros se tornou uma das regiões mais importantes de Itajaí, com 42 mil moradores. Cordeiros guarda parte importante da história do crescimento de Itajaí. Entre rios, antigas estradas e o desenvolvimento industrial da cidade, o bairro construiu ao longo das décadas uma identidade marcada pelo trabalho, pela expansão urbana e pela força da comunidade. Hoje, com mais de 42 mil moradores, Cordeiros é considerado o segundo bairro mais populoso de Santa Catarina e uma das regiões mais movimentadas do município. O nome do bairro faz referência à família de Fermino Vieira Cordeiro. Conforme registros históricos levantados pelo historiador Magru Floriano, Fermino e seus irmãos teriam chegado à região por volta de 1872, após participação na Guerra do Paraguai. Vindos da Bahia, adquiriram terras que se estendiam da margem esquerda do Rio Itajaí-Mirim até Espinheiros. Naquele período, a localidade era praticamente isolada do restante da cidade. Mesmo próxima da Barra do Rio, região que já apresentava crescimento urbano desde o século XIX, o acesso era difícil. Foram os próprios irmãos Cordeiro que abriram uma picada ligando a região até Espinheiros — caminho que mais tarde se transformaria na principal ligação terrestre entre Itajaí e Blumenau. O isolamento começou a diminuir apenas em 1930, com a inauguração da Ponte Marcos Konder, que facilitou a integração entre diferentes regiões do município e do estado. O bairro operário que impulsionou o desenvolvimento da cidade A partir das décadas de 1950 e 1960, Cordeiros viveu uma rápida transformação. A instalação de empresas ligadas aos setores madeireiro, de combustíveis, gás e armazenamento impulsionou o crescimento econômico da região e atraiu trabalhadores de diferentes localidades. O bairro passou a receber loteamentos populares, conjuntos habitacionais e novos núcleos urbanos, consolidando um perfil fortemente ligado ao trabalho e à indústria. Ao longo dos anos surgiram regiões como Jardim Esperança, Jardim Progresso, Jardim Itália, Jardim Santa Rita, Murta, Votorantim e o Núcleo Habitacional General Costa Cavalcanti, entre outras comunidades que ajudaram a formar a identidade de Cordeiros. Grandes obras públicas também mudaram definitivamente a geografia da região. A retificação do Rio Itajaí-Mirim, iniciada em 1963, passou a ser o divisor entre Cordeiros e São Vicente. Nas décadas seguintes, as ligações entre os bairros foram ampliadas com a construção da Ponte Tancredo Neves, em 1986, e da Ponte Wilson Kleinübing, em 2001, fortalecendo a mobilidade urbana e o desenvolvimento da região. Odílio Garcia: coragem que entrou para a história de Itajaí Entre todos os acontecimentos ligados à trajetória de Cordeiros, um dos mais marcantes aconteceu em 2 de fevereiro de 1965. Naquele dia, um incêndio atingiu o navio Petrobras Norte durante uma operação de descarga de gás liquefeito às margens do bairro. O fogo colocou Itajaí em estado de alerta e gerou temor em toda a população diante do risco de explosão. Foi nesse episódio que surgiu o nome de Odílio Garcia, personagem que se tornaria símbolo de coragem para a cidade. Tripulante da embarcação, Odílio participou das tentativas de controle da situação mesmo diante do risco extremo. O ato de bravura ajudou a evitar consequências ainda maiores para Itajaí. Ele morreu em decorrência do incêndio e passou a ser lembrado como um herói itajaiense. Décadas depois, a homenagem ganhou forma às margens do Rio Itajaí com a criação do Parque Náutico Odílio Garcia — espaço que preserva a memória de um homem que entrou para a história pelo exemplo de coragem e dedicação à cidade. Educação, saúde, fé e tradição O crescimento de Cordeiros também foi acompanhado pela implantação de escolas, unidades de saúde, espaços religiosos e serviços públicos importantes para a comunidade. Hoje, o bairro conta com importantes estruturas públicas de atendimento à população, como a UPA Cordeiros e unidades básicas de saúde distribuídas pela região. Na área da educação, Cordeiros também concentra escolas que acompanham o crescimento populacional e o desenvolvimento da comunidade ao longo das décadas. A religiosidade se tornou outra marca importante da identidade local. Em 1959, foi construída a capela dedicada a São Cristóvão, santo protetor dos motoristas e caminhoneiros. A devoção deu origem à tradicional procissão dos caminhoneiros, uma das manifestações religiosas mais conhecidas de Itajaí. Em 1968, a criação da Paróquia São Cristóvão fortaleceu ainda mais os vínculos comunitários e religiosos da região. Um bairro que segue crescendo Atualmente, Cordeiros reúne forte atividade comercial, industrial e de serviços, além de áreas de lazer e importantes vias de ligação com diferentes regiões de Itajaí. Sendo uma região construída pelo trabalho, pela expansão urbana e pela memória de personagens que ajudaram a marcar a história de Itajaí, como Odílio Garcia, assim se destaca em Santa Catarina o populoso bairro Cordeiros. Informações históricas baseadas em pesquisas do historiador Magru Floriano, autor do livro "Nossas Localidades". Novo espaço de lazer, convivência e contemplação junto à Beira Rio será entregue à comunidade no domingo (7). Animal estava sob cuidados veterinários desde que foi localizado pela Guarda Municipal após desaparecimento. Para o Litoral Norte catarinense, o acompanhamento do tema ajuda a entender efeitos regionais sobre mobilidade, investimento, atividade econômica e planejamento urbano. Use com naturalidade termos como Litoral Norte de Santa Catarina, Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo e mercado regional quando fizer sentido factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.