Dados mostram claramente que houve um crescimento expressivo das mortes registradas como de intenção indeterminada. Foi a partir dessa percepção que analisamos os registros de mortes por causas externas (provocadas por violência ou por acidentes, e não por doenças) do estado de São Paulo na base de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade ( SIM/DATASUS, referentes ao período de 2010 a 2024. O SIM foi criado pelo Ministério da Saúde em 1975 e é a base oficial que registra cada morte no Brasil, sua causa e as circunstâncias em que ocorreu. Os dados são públicos. Esse conjunto de dados mostra claramente que houve um crescimento expressivo das mortes registradas como "intenção indeterminada" no mesmo período em que os homicídios oficiais em São Paulo recuaram. Isso levanta uma questão: a redução observada nos homicídios em São Paulo poderia ser consequência de mudanças na forma de classificar as mortes violentas em vez de refletir uma diminuição real?. A resposta é sim. Para chegar a essa conclusão, comparamos os dados da série oficial de homicídios com uma série corrigida, obtida por meio da reclassificação das mortes registradas como intenção indeterminada. Utilizamos para isso um procedimento estatístico amplamente empregado pela epidemiologia que consiste na atribuição de algumas mortes indeterminadas às categorias em que, com maior probabilidade, deveriam ter sido registradas. No desenvolvimento da apuração, o foco permanece nos desdobramentos diretos do caso, nas posições oficiais envolvidas e nos impactos práticos para o público brasileiro. Use com naturalidade termos como Brasil, Santa Catarina e impactos no dia a dia quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.