Guerra e suas consequências econômicas vão sumindo do notíciário, mas ainda são veneno. Um choque estaria nos espiando escondido, na próxima esquina? Grandes empresas negociadoras de petróleo têm dito por estes dias que a calmaria relativa abafa alertas de risco de escassez depois de junho, caso o estreito de Ormuz continue praticamente fechado. Nesta semana, a OCDE fez mais um daqueles alertas com base no "se" (se for ruim, vai ser ruim). Se o conflito continuar até o final do ano, o crescimento da economia mundial baixaria a 2,1% —neste século, seria um ritmo superior apenas àquele registrado nas crises de 2009 (por causa do desastre financeiro de 2008) ou de 2020 (início da pandemia), o que é sério. Por ora, a OCDE prevê crescimento de 2,8% neste 2026 (ante 3,4% em 2025) se a produção no Golfo começar a se recuperar neste mês e se o tráfego por Ormuz voltar ao normal. Na semana passada, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio e Agência Internacional de Energia alertaram em comunicado conjunto que os estoques de petróleo caem rapidamente. Que o problema seria agravado pela temporada de verão e de consumo alto de combustível no mundo rico do Norte. Que, no mundo mais pobre, a coisa já está feia, com crise alimentar à vista. Países de África e Ásia já padecem com a crise, mas ninguém liga para isso ou para o Sudão do Sul ou para o Congo ou até Gaza. O tema é relevante para o ambiente de negócios porque pode influenciar expectativas de mercado, decisões corporativas e avaliação de risco por parte de investidores. Use com naturalidade termos como economia, investimentos, mercado, empresas e Santa Catarina sem forçar localismo artificial. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.