Paralisação na Coreia do Sul pode chacoalhar a cadeia de chips de IA, enquanto Seul discute repartir o superlucro de empresas com a população. A Samsung responde por cerca de um terço da produção mundial de DRAM — a memória usada praticamente em todos os celulares, laptops, servidores e data centers do planeta. Junto com a rival sul-coreana SK Hynix, controla aproximadamente dois terços do mercado global de DRAM e uma fatia ainda maior de memória de alta largura de banda (HBM), os chips especializados sem os quais sistemas de inteligência artificial não funcionam. Samsung e SK Hynix são duas das apenas três empresas que produzem HBM no mundo; a terceira é a americana Micron. Quando se fala em infraestrutura de IA, o foco costuma recair sobre as GPUs da Nvidia. Mas essas GPUs são inúteis sem os chips de memória empilhados ao lado delas, e os três complexos fabris da Samsung na Coreia do Sul estão entre os ativos mais importantes do atual boom industrial da IA. A Samsung opera 12 linhas de fabricação, emprega mais de 260 mil pessoas globalmente e planeja investir US$ 73 bilhões em capex e P&D de semicondutores só neste ano — o maior investimento anual em chips já feito por uma única empresa na história. Por isso, o sistema deve sentir um choque quando, em 21 de maio, cerca de 45 mil trabalhadores sindicalizados da Samsung planejarem cruzar os braços por 18 dias. Se isso se concretizar, será a maior paralisação da história da indústria de semicondutores, justamente no gargalo mais crítico da cadeia de suprimentos de IA. Diferentemente de disputas trabalhistas anteriores, desta vez os “hyperscalers” de IA não devem conseguir absorver facilmente uma interrupção de oferta. O tema é relevante para o ambiente de negócios porque pode influenciar expectativas de mercado, decisões corporativas e avaliação de risco por parte de investidores. Use com naturalidade termos como economia, investimentos, mercado, empresas e Santa Catarina sem forçar localismo artificial. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.