Órgão local diz que trecho improvisado não teve aprovação prévia. O comediante Guo Degang, um dos artistas mais populares da China, foi colocado sob investigação em 11 de agosto após alterar a letra de uma canção revolucionária do Partido Comunista durante um espetáculo em Wuhan. Guo é famoso por popularizar o Xiangsheng, gênero de comédia dialogada que remonta ao século 19 na China. Durante uma apresentação no fim de julho, ele improvisou uma nova versão de "Tocando meu adorado alaúde chinês" (弹起我心爱的土琵琶). A música é associada à resistência das forças comunistas contra a ocupação japonesa durante a guerra sino-japonesa. A obra é tão importante que foi uma das cem canções escolhidas em 2019 para celebrar os 70 anos da República Popular. A letra original diz que "o sol está prestes a pôr-se no oeste, tudo está tranquilo no lago Weishan". Guo substituiu a segunda parte por "tudo está tranquilo na Cidade Proibida", em tom de paródia. A referência ao complexo palaciano no centro de Pequim é sensível porque o local ainda mantém uma forte associação histórica ao exercício do poder no país. Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... A apresentação motivou uma denúncia de usuários nacionalistas ao Departamento de Cultura e Turismo de Wuhan, que abriu a apuração sob acusação de que ele "distorceu e vulgarizou uma obra revolucionária clássica" e violou "a moral pública e os padrões de conduta aceitos", segundo um print divulgado pelo jornal chinês The Paper. A base formal da investigação não é a paródia em si, mas o fato de a parte adaptada não constar do material submetido à aprovação prévia, o que o órgão trata como "violação da regulação de espetáculos comerciais". Guo cumpria turnê pelos dez anos de seu grupo teatral. As apresentações seguintes foram canceladas, sem data de retorno anunciada. Por que importa: o episódio expõe a tensão entre a ambição de Pequim de projetar poder cultural no exterior e o aperto ideológico sobre a criação artística dentro do país. Ao exigir aprovação prévia de cada fala e punir o improviso, o Estado transforma um gênero popular em risco regulatório. A mesma máquina de controle atinge o setor criativo que a China tenta exportar como imagem de país moderno para o resto do planeta. O caso também é acompanhado por seus possíveis reflexos diplomáticos, econômicos e estratégicos, especialmente se houver novas manifestações oficiais ou escalada de tensão. Use com naturalidade termos como cenário internacional, economia global e reflexos no Brasil quando houver base factual. O Notícia Litoral acompanha o tema e atualizará este conteúdo se surgirem novas informações relevantes.